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Notícia biográfica

O Pe. Barbosa Campos era natural de Viatodos, do lugar de Campesinhos, e tinha o nome completo de Joaquim Pereira Barbosa Campos. Nasceu em 1877 e a sua inquirição de genere data de 1896. Foi pároco de Minhotães desde 1903 e durante uns quarenta anos a passar. Na pequena publicação saída na Póvoa de Varzim em 1916 com o título A Ver Terras , cujo autor é Soeiro Mendes (pseudónimo do Abade Sousa Maia), vêm dez sonetos seus. Anunciava-se então que o Pe. Barbosa Campos preparava um livro com o título de Terra de Encantos . Provavelmente, porém, ficou sempre em manuscrito e deve-se ter perdido. Em 5 de Dezembro de 1918, no jornal barcelense Acção Social , saíram mais dois sonetos com a sua assinatura, em versos alexandrinos e dedicados a Nossa Senhora. O culto Abade Sousa Maia tece rasgados elogios à poesia do Pe. Barbosa Campos. Parecem-nos inteiramente justificados. Os seus poemas são eruditos e de tonalidade bucólica e justificam o título sob que pretendia publicá-los pois neles ...

Encanto bairrista

“ Terra de Encantos”, o título que o Pe. Barbosa Campos imaginava para a sua colectânea de poemas, sugere bairrismo. Mas, embora se delicie a cantar Viatodos, distribuiu o seu amor bairrista também pelas freguesias suas vizinhas.   Ó Viatodos, morgadinha airosa Que o fulgor de mil graças atavia Vestiu-te Deus de tanta louçania, De tantas graças que te fez vaidosa.   Para as vizinhas olhas desdenhosa, De teus encantos vendo a primazia, Vendo, feliz, que te amam à porfia O sol, a flor, a ave e a mariposa.   Minha encantada solidão, motivo De todo o meu amor, minha saudade, Nos espinhos cruéis em que hoje vivo…   Minha terra natal, meu róseo berço, Fresco jardim da minha tenra idade: Outra não há mais linda no universo!   * Quando eu morrer, abre-me o seio amigo, Quando findarem minhas duras penas, Que, bem eu sei, hão-de ter fim apenas Quando na morte me abraçar contigo.   De tuas flores cobre-me o jazigo, ...

Encanto mariano

Os poemas de tema mariano que agora se copiam são de uma qualidade poética muito rara, em particular o primeiro do par de sonetos. Mas o poeta não ignorou os dois pequenos templos das redondezas em que a Imaculada merecia uma particular devoção dos fiéis, a Senhora da Saúde, em Monte de Fralães, e da do Carmo, em Lemenhe.   TODA BELA Tota pulchra es et macula non est in te. Una est perfecta mea, immaculata mea [1] . (Cant. dos Cant)   I Vi dos frescos vergéis a flor mais bela e pura, Mais escolhida em mimo e rescendência e cor, Da noite constelada em o vivo esplendor A estrela que no céu mais límpida fulgura.   Vi tudo quanto a mão do sábio Criador Fez de perfeito e belo em toda a criatura, Desde o profundo mar até à imensa altura Onde o seu sólio tem dos mundos o Senhor.   Mas toda essa beleza esvai-se junto Àquela Que adorna terra e céus, tão alta e sublimada Que é das obras de Deus a mais formosa e bela.   Quando Ele ...